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[Artigo] Com o olhar fixo em Jesus e em seus ensinamentos- Neuza Silveira, Secretariado Arquidiocesano Bíblico-catequético de BH

A missão que Jesus recebeu do Pai, foi a de revelar o mistério do amor divino na sua plenitude. Foi o que Ele sempre fez durante todo o seu ministério missionário.

Deus é amor. Afirma, pela primeira e única vez em toda a Escritura, o evangelista João, em sua primeira carta (1Jo 4,8.16).

A pessoa de Jesus não é senão amor, amor gratuito. O seu relacionamento com as pessoas que dele se aproximam manifesta algo único, maravilhoso. Os sinais que realiza, sobretudo para com os pecadores, as pessoas pobres, marginalizadas, acontecem na profundidade da sua misericórdia. Diz o Papa Francisco: “…tudo acontece em uma realidade concreta, na qual se realiza o verdadeiro amor de Deus, um amor visceral. Um amor que provém do íntimo como um sentimento profundo, natural, feito de ternura e compaixão, de indulgência e perdão”.

Todo esse amor tornou-se visível e palpável em toda a vida de Jesus. Tudo nele fala de misericórdia. O seu agir foi cheio de misericórdia. E ele está a nos convidar a sempre viver de misericórdia e a agir com misericórdia para com todos. E isto porque, primeiro, foi usada a misericórdia para conosco. Jesus nos colocou a misericórdia como ideal de vida e critério de credibilidade para a nossa fé: “Felizes os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia” (Mt 5,7). Assim é Deus para conosco. Ele deseja o nosso bem e quer nos ver felizes, cheios de alegria. Nesse sentido, somos também chamados e orientados a viver essa misericórdia, sendo misericordiosos uns com os outros.

O que podemos afirmar ser “misericórdia”?

A Misericórdia é sentimento de compaixão. É uma palavra de origem latina, formada pela junção de miserere (ter compaixão), e cordis (coração). Ter compaixão no coração. Significa ter um coração capaz de sentir aquilo que a outra pessoa sente. Assim, praticar a misericórdia é ser capaz de colocar o coração na miséria do outro e, juntos, compartilhar a mesma dor.

Há urgência no anúncio e testemunho da misericórdia no mundo de hoje. Nesses novos tempos, como Igreja, somos comprometidos com a evangelização, fazendo ecoar da Palavra de Deus.

Alimentamo-nos da prática misericordiosa de Jesus, de forma intensa, nos textos dos Evangelhos apresentados nesse período quaresmal. Acompanhando as leituras apresentadas na liturgia,  textos como  o evangellho de Mateus 20, 17s nos mostram que estamos numa caminhada – a caminhada rumo a Jerusalém e à Páscoa do Senhor. Sabemos que a quaresma tem estreita relação com esse caminhar rumo a Jerusalém. Nesse tempo, somos convocados a nos colocar no caminho junto com Jesus, conscientes da árdua missão com todos os seus obstáculos e sofrimentos. Trata-se de uma conscientização da parte de Jesus a todos nós, da desafiadora missão de segui-lo.

Seguir Jesus não é fácil. Resistimos, fugimos dos nossos compromissos, mas Jesus não descuida de nós. De vez em quando ele está a nos chamar para uma revisão dos nossos erros, das nossas atitudes. Pede para não deixarmos para depois, porque pode ser tarde demais. Isto porque,depoios de ultrapassarmos os limites da eternidade prometida, que nos separam  desse nosso caminhar, já não teremos mais como refazer o nosso jeito de ser aqui, na vinha do Senhor.

Mas enquanto estamos aqui, Jesus não se descuida de nós. Está sempre a nos alertar para a obediência às leis e observância dos ensinamentos de Deus, ouvindo aqueles que conhecem as leis. Porém destaca que obedecer às leis não significa fazer as coisas que os entendidos da lei fazem. Muitas vezes suas  atitudes não conferem com o que dizem. Esses ensinamentos muito nos ajudam hoje para o discernimento de nossas próprias atitudes.

Encontramos num caminho cheio de dificuldades e sofrimentos, mas os espinhos do caminho são resultados do compromisso com a promoção da vida.

Quando olhamos para o mundo com os olhos de Jesus, passamos a perceber que as exigências da vida cristã nos chegam com mais leveza, pois passamos a realizá-las com o mesmo amor que Jesus realizou seus ensinamentos. Da mesma forma que Jesus encontro no Abba (paizinho querido) uma fonte inesgotável de amor e de sentido, porque colocava todas as suas ações voltadas para o projeto salvífico do Pai, assim também podemos colocar Jesus mais próximo de nós, procurando ser exemplo “vivo” de seguidor de Jesus Cristo. Uma pessoa comprometida com a prática da vida cristã. Ser alguém íntegro, justo, solidário, de bem com a vida, alegre, cuidador da dignidade da vida e participante da vida concreta de sua comunidade de fé.

Na prática dessa vivência fazemos a experiência do amor de Deus. Uma experiência que nos leva para o conhecimento de Deus, para sermos iniciados no “Mistério”. A gente só se conhece quando se reconhece amado.

Deus nos amou primeiro. E a experiência de ser amado por Deus modifica a vida. Todo esse amor de Deus foi plenamente revelado em Jesus Cristo. Assim, todos nós somos chamados a fazer essa experiência de amor com Jesus para, na prática de nossa missão, promover o Encontro com aquele que é a verdadeira alegria da nossa vida. A missão é o critério para verificar a verdade dessa experiência, uma vez que a missão emana da experiência profunda do Amor de Deus.

Como ensina a primeira carta de São João – “Caríssimos, amemo-nos uns aos outros, porque o amor vem de Deus e todo aquele que ama nasceu de Deus e conhece Deus” – quem não ama, não chegou a conhecer Deus, pois Deus é amor (1Jo 4,7-8). Deus é amor e podemos conhecê-lo na prática do amor. E quem nos ajuda a viver esse amor é Jesus Cristo. Portanto, não nos descuidemos desse mundo. A vinha criada por Deus nos foi dada para ser cuidada até que o Filho de Deus, herdeiro do Pai, não chegue. Quando ele chegar, temos de lhe prestar contas de tudo o que produzimos.

Neuza Silveira de Souza

Coordenadora do Secretariado Arquidiocesano Bíblico-catequético de Belo Horizonte.

 

 

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