Santuário Arquidiocesano

Ermida da Padroeira de Minas - Basílica da Piedade

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Basílica Estadual das Romarias

Domingo
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Artigo de dom walmor

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Os bispos da Igreja Católica no Brasil estão reunidos celebrando a 61ª Assembleia Geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), nos átrios e no coração do Santuário Nacional de Nossa Senhora Aparecida – Padroeira do Brasil. A Assembleia, assim, é emoldurada pelos ares da devoção simples, autêntica e fecunda do povo, apontando o centro do mistério do amor maior, Cristo Jesus, revelação da fonte da unidade.  A Assembleia Geral possibilita cultivar o imprescindível zelo pela unidade, contribuindo para que diferenças enriqueçam respostas novas e adequadas na vivência da fé, no caminho de promoção da vida. O sentido e alcance da unidade alicerçam a comunhão, que não pode ser confundida com a uniformidade. Na catolicidade da Igreja, a unidade faz das diferenças uma riqueza, não permitindo a alimentação de disputas ou divisões – contramão do Evangelho de Jesus Cristo.

A CNBB, no caminho missionário da Igreja Católica no Brasil, tem incontestável importância por sua história de serviços eclesiais e missionários, com notável atuação na esfera pública, articulando os compromissos da fé com a vida dos brasileiros. Contemplar e reconhecer a história de serviços da CNBB é exercício importante para superar o risco de compreensões enviesadas, que levam alguns a formularem juízos injustos, inadequados e, até memo, a agir com hostilidade. Juízos e reações distanciados de práticas alicerçadas na unidade, desconsiderando a comunhão essencial ao diálogo permanente. Quem se distancia da unidade e da comunhão se enjaula nas estreitezas da própria mentalidade e, não raramente, nos limites dos próprios interesses. Por isso, a Assembleia Geral da CNBB, grande celebração vivenciada pelos bispos no Santuário de Aparecida, merece ser acompanhada a partir de justo entendimento, para que todos sejam capazes de contribuir com o fortalecimento do caminho missionário da fé cristã católica no Brasil.

O horizonte comum da Assembleia Geral dos Bispos do Brasil é a espiritualidade, com a oração ocupando lugar especial no cronograma diário do encontro – vários momentos, cada um com características singulares, mas todos marcados por muita densidade espiritual, fonte de fortalecimento para o pastoreio, nos mais diversos lugares desta nação continente. O pastoreio exige competência humana e espiritual, pede igualmente um olhar lúcido sobre as realidades brasileira e mundial, que exigem respostas à altura do anúncio do Reino de Deus. Diante dessa complexa necessidade, a Assembleia se dedica a uma pauta extensa, para contribuir com o serviço missionário da Igreja no Brasil e ajudar a sociedade no enfrentamento de seus problemas – compromisso de quem vivencia autenticamente a fé cristã católica.  Os discípulos de Jesus precisam ajudar a sociedade a se tornar mais justa e solidária, combatendo cenários que afrontam as lições do Mestre.

A missão dos bispos, primeiros servidores do povo de Deus na Igreja, requer o fortalecimento e a qualificação experimentados na integração à CNBB que promove, com a sua Assembleia Geral, o maior encontro entre seus membros. Os bispos não se congregam como um clube de amigos, um sindicato ou uma organização que busca a defesa dos próprios interesses. A partir do zelo pela unidade, cultivado no afeto, exercitado nos diálogos, intercâmbios, cooperações, partilhas, os bispos avançam em temáticas essenciais, a exemplo da defesa dos pobres, a construção de uma sociedade justa e solidária, condizente com as raízes místicas da espiritualidade no seguimento de Jesus. Do compromisso de seguir Jesus, nasce e se alimenta o valor evangélico da comunhão, com propriedades para estimular a participação e conferir o vigor necessário à missão, alcançando novos areópagos e, sobretudo, o coração de homens e mulheres.

O olhar de toda a Igreja e da sociedade, dirigido à Assembleia Geral da CNBB, seja iluminado, para que se possa reconhecer: os bispos foram constituídos, pelo Espírito Santo, como verdadeiros e autênticos mestres, pontífices e pastores, conforme ensina o documento do Concílio Vaticano II sobre o ministério episcopal na Igreja. Quando se alcança essa compreensão, debela-se todo tipo de oposição intempestiva ou de reações que tentam obstruir caminhos importantes para a missão da Igreja no Brasil. A participação e contribuições de todos que fazem parte do povo de Deus são imprescindíveis, em diálogo e comunhão com os bispos, qualificando a vivência da fé, a partir do adequado exercício da cidadania civil e também da cidadania do Reino de Deus. De modo especial, todos possam compreender sobre a importância dos bispos se congregarem para zelar pela unidade, fonte de comunhão, iluminados pelo desejo que Jesus expressa em oração a Deus pelos apóstolos – aos quais os bispos sucedem na continuidade da missão da Igreja. Em sua prece, o Mestre pede para que “todos sejam um” e “para que o mundo creia”. Assim, quando o povo de Deus avança no zelo à unidade, cada bispo, no serviço à sua diocese, se fortalece na condição de servo, testemunha e profeta, para anunciar ao mundo a esperança.

Dom Walmor Oliveira de Azevedo
Arcebispo metropolitano de Belo Horizonte