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“Deixemo-nos encontrar pela misericórdia de Deus que sempre vem nos procurar”

Nesta quarta-feira, 2 de abril, o Papa Francisco dedicou sua catequese a Zaqueu, dando continuidade a sequência “A vida de Jesus. Os Encontros”.

Logo no início de sua reflexão, o Santo Padre destaca que Zaqueu ocupa um lugar especial no seu caminho espiritual.  “O Evangelho de Lucas apresenta Zaqueu como alguém que parece irremediavelmente perdido. Talvez, por vezes, também nos sintamos assim: sem esperança. Zaqueu, em vez disso, descobrirá que o Senhor já o procurava”.

Nossos desejos também encontram obstáculos

De acordo com o Papa Francisco, “Jesus desceu até Jericó, uma cidade situada abaixo do nível do mar, considerada uma imagem do inferno, onde Jesus quer ir em busca daqueles que se sentem perdidos. Na realidade, o Senhor Ressuscitado continua descendo ao inferno de hoje, aos lugares de guerra, de dor dos inocentes, nos corações das mães que veem morrer seus filhos, na fome dos pobres.”

“Num certo sentido, Zaqueu está perdido; talvez tenha feito algumas más escolhas ou talvez a vida o tenha colocado em situações das quais tem dificuldade de escapar. Lucas insiste em descrever as características deste homem: não é apenas um publicano, isto é, alguém que cobra impostos aos seus concidadãos para os invasores romanos, mas é o chefe dos publicanos, como se dissesse que o seu pecado é multiplicado.”

O Pontífice explica que “Lucas acrescenta, então, que Zaqueu é rico, insinuando que enriqueceu às custas dos outros, abusando da sua posição. Mas tudo isto tem consequências: Zaqueu sente-se provavelmente excluído, desprezado por todos”.

“Ao ouvir que Jesus passava pela cidade, Zaqueu sente o desejo de O ver. Não se atreve a imaginar um encontro, bastaria apenas observá-Lo de longe. Mas os nossos desejos também encontram obstáculos e não se realizam automaticamente: Zaqueu é de baixa estatura! É a nossa realidade, temos limitações com as quais temos de lidar. Depois há os outros, que às vezes não nos ajudam: a multidão impede Zaqueu de ver Jesus. Talvez seja também um pouco de vingança”, ressalta.

É preciso ter coragem

Ao dar continuidade a sua meditação, o Santo Padre sublinhou: “Mas quando temos um desejo forte, não nos desanimamos. Encontramos uma solução. Mas é preciso ter coragem e não ter vergonha, é preciso ter um pouco da simplicidade das crianças e não nos preocuparmos tanto com a imagem. Zaqueu, como uma criança, sobe numa árvore. Tinha de ser um bom ponto de observação, principalmente para observar sem ser visto, escondendo-se atrás da folhagem”.

“Mas com o Senhor o inesperado acontece sempre: Jesus, quando se aproxima, olha para cima. Zaqueu sente-se exposto e provavelmente espera uma repreensão pública. O povo talvez assim esperasse, mas fica desiludido: Jesus pede a Zaqueu que desça imediatamente, quase surpreendido ao vê-lo na árvore, e diz-lhe: ‘Hoje é necessário que eu fique em tua casa’. Deus não pode passar sem procurar os perdidos.”

Segundo o Pontífice, o evangelista Lucas “destaca a alegria do coração de Zaqueu. É a alegria de quem se sente visto, reconhecido e, sobretudo, perdoado”. “O olhar de Jesus não é de reprovação, mas de misericórdia. É aquela misericórdia que, por vezes, temos dificuldade em aceitar, especialmente quando Deus perdoa aqueles que achamos que não a merecem. Murmuramos porque gostaríamos de colocar limites no amor de Deus.”

O Papa Francisco explica que “depois de ouvir as palavras de perdão de Jesus, Zaqueu se levanta, como se tivesse ressuscitado da sua condição de morto. E levanta-se para assumir um compromisso: devolver o quádruplo do que roubou. Não é um preço a pagar, porque o perdão de Deus é gratuito, mas é o desejo de imitar Aquele que o fez sentir-se amado. Zaqueu assume um compromisso que não era obrigado a assumir, mas o faz porque entende que essa é a sua forma de amar. Faz isso reunindo tanto a legislação romana sobre o roubo quanto a legislação rabínica sobre a penitência. Zaqueu não é apenas um homem de desejo, é também alguém que sabe dar passos concretos. O seu propósito não é genérico ou abstrato, mas parte da sua própria história: olhou para a sua vida e identificou o ponto por onde começar a sua mudança”.

Deixemo-nos encontrar pela misericórdia de Deus

O Santo Padre concluiu o texto de sua catequese, convidando os fiéis a aprender com Zaqueu a não perder a esperança: “Mesmo quando nos sentimos excluídos ou incapazes de mudar. Cultivemos o nosso desejo de ver Jesus e, sobretudo, deixemo-nos encontrar pela misericórdia de Deus que sempre vem nos procurar, em qualquer situação em que estejamos perdidos”, destacou.

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